Estudo multicêntrico da prevalência de hepatites B, C e sífilis na população carcerária de Mato Grosso do Sul.

 

A população prisional é considerada como tendo elevado risco para aquisição de infecções relacionadas às condições de confinamento. Entre as doenças mais importantes na população prisional estão as doenças sexualmente transmissíveis, as hepatites virais, o HIV/AIDS e a tuberculose. Fatores individuais e condições de vida antes do encarceramento contribuem para a alta endemicidade das hepatites virais e sífilis na população privada de liberdade, como população jovem, predominantemente masculina, de baixa escolaridade, oriunda de comunidades desfavorecidas. As relações sexuais sem proteção entre os presidiários, ou facilitadas pela visita íntima, uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas, gestação sem acompanhamento pré-natal e marginalização social são condições que possibilitam a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV), do vírus da hepatite B (HBV) e do Treponema pallidum. Adicionalmente, a confecção de tatuagens artesanais e compartilhamento de objetos perfuro-cortantes predispõem a disseminação da infecção causada pelo HIV e pelo vírus da hepatite C (HCV) neste cenário. Portanto, o objetivo do presente estudo é determinar a prevalência da infecção pelos vírus das hepatites B e C e Sífilis na população privada de liberdade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Além disso, pretende-se identificar os principais fatores de risco associados a infecção por HBV, HCV e Treponema pallidum nesta clínicospopulação. O desenvolvimento do presente projeto possibilitará a elaboração de estratégias eficazes para o delineamento de ações diagnósticas, educativas e assistenciais para esse contingente populacional que vive a margem dos serviços de saúde, e que podem ser disseminadores em potencial dessa infecção.